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Sapateado

| História |

O sapateado surgiu por volta de 1800 nos EUA fruto do encontro de etnias européias e africanas que utilizavam a percussão como manifestação artística principalmente vinda dos africanos, irlandeses, ingleses e escoceses. Esses elementos contribuíram para criar um estilo novo no Continente americano, juntamente com o movimento musical do ragtime, swing, be-bop e do jazz.

Após a Guerra Civil, escravos das fazendas, migraram do Sul para os centros industriais do Norte dos Estados Unidos, onde encontraram imigrantes irlandeses e escoceses que também eram utilizados como mão-de-obra barata pelos americanos.

Negros e brancos viviam nos mesmos guetos urbanos. Nas antigas plantações os negros não tinham permissão para tocar tambores, por isso, inventaram uma forma de percussão usando batidas nas pernas e no tórax. Algumas pesquisas contam que escravos negros da Louisiana e New Orleans, acompanhavam seus patrões para assistirem as festas nos salões de danças européias e após o trabalho eles imitavam aquelas danças com os movimentos dos dançarinos brancos por diversão.

Entre 1870 e 1880, o encontro dessas danças percussivas provocou um cruzamento fértil. Filhos de escravos negros e europeus aprendiam passos uns com os outros e aos poucos foram refinando sua técnica em desafios nas ruas em competições. Este sapateado de rua logo fez o caminho dos shows tradicionais apresentando atores brancos e raramente atores negros.

Os dançarinos brancos pintavam o rosto de preto com uma tinta que saía de rolhas queimadas e desenvolviam personagens que divertiam a platéia, ficaram conhecidos como os menestréis (minstrel show).

Em meados do Século XIX, os menestréis tornaram-se extremamente populares, dominando o mundo do entretenimento americano e permaneceram em evidência por mais de cinqüenta anos e foram responsáveis pela popularização da música e da dança, principalmente o sapateado. Dentre os artistas mambembes da época, destacava-se William Henry Lane, o “JUBA” que exerceu a maior influência individual sobre a dança do século XIX. Também chamado “O Rei de todos os dançarinos”, foi o único negro a entrar no circuito de menestréis. Por volta de 1900, George Primerose, canadense de ancestrais irlandeses emprestou sua finesse e elegância na execução das coreografias. A técnica do soft shoe foi sua criação.

Sua influência foi tão grande que continuou brilhando no Séc. XX. Quando a popularidade desses artistas decaiu. Por volta da virada do século XIX, observou-se que por ser uma forma de entretenimento basicamente masculina, esta forma de arte havia quase exterminado as artistas mulheres. A busca por algo novo crescia, as mulheres abraçavam a profissão e a era do Vaudeville começava.

No início do séc XX , o Vaudeville incentivava uma forma de entretenimento familiar com acrobacia, canto, dança e comédia. Infelizmente, ainda permaneceu segregacionista, artistas brancos e negros ainda não atuavam juntos. Durante as primeiras décadas do Século XX, o sapateado se tornou o auge do show business, era o número mais esperado e popular de qualquer apresentação e os menestréis deram lugar ao Vaudeville. Esta época proporcionou também o descobrimento de vários talentos infantis, quando eram utilizados como um coro atrás dos grandes cantores de blues em apresentações clássicas. Geralmente esses garotos eram descobertos nas ruas e variavam de 6 a 12 anos e eram capazes de cantar, dançar, sapatear e fazer performances acrobáticas. Eram baratos para contratar, brilhantes e muito populares. Mas ainda havia diferenças entre o vaudeville dos brancos e dos negros.

O circuito de vaudeville mais famoso de artistas negros acontecia no T.O.B.A., cuja sigla significa Theater Owners Booking Association. Oferecia entretenimento para negros, que eram proibidos de freqüentarem os teatros de brancos. Neste circuito muitos artistas negros se destacaram, entre eles, John Bubbles com seu sapateado inovador, introduzindo o que chamamos de Rhythm Tap, onde o trabalho dos pés é associado a fortes acentos rítmicos.

Mas o maior dos artistas sapateadores negros, foi sem dúvida, Bill Bojangles. Fazia sucesso tanto nos shows dos menestréis como nos vaudevilles. Foi o primeiro dançarino negro a estrelar seu próprio show. Em Hollywood, dançou com Shirley Temple. Paralelamente ao vaudeville dos brancos e dos negros, a virada do século trouxe o início de extravagantes shows e principalmente as comédias musicais.

Nomes como George Gershiwn e os irmãos Fred e Adele Astaire surgiram. Por volta de 1925, a chapinha de metal foi colocada pela primeira vez nos sapatos, nas pontas e nos calcanhares. Palmas e batidas no corpo também serviam como instrumentos percussivos. Esta arte foi primeiramente chamada de sapateado (Tap Dance) em 1902. Entre 1909 e 1920, os EUA foram assolados por uma febre de dança: fox trot, turkey trot, grizzly bear, e bunny hug, por exemplo. Os adultos passaram a estudar dança de salão e todos dançavam.

Em 1933, Fred Astaire fazia seu primeiro filme em Hollywood (“Dancing Ladie”) e em sua brilhante interpretação em “Broadway Melodies”, dançou o inesquecível número “Beguine”com Eleanor Powell. O mundo vivia a era dos grandes musicais e outros sapateadores excepcionais como Ginger Rogers e Gene Kelly também se destacavam, alcançando sucesso e admiração.

Nos anos 50, novas tendências dominaram o cenário do teatro americano e a busca por algo novo e diferente prevaleceu novamente. O interesse pelo sapateado e sua presença nas novas produções caíram substancialmente e muitos profissionais viram sua carreira ruir, outros tentaram manter a chama acesa em encontros em salas atrás do palco principal como o do Apollo Theater no Hoofer’s Club no Harlem, onde aconteceram legendárias competições conhecidas como “cutting sessions”. Surgiram artistas como Jimmy Slyde, Bunny Briggs, Sandman Sims, Buster Brown, Chuck Green, entre outros. Por volta dos anos 70 o sapateado retornou de forma de arte popular e nomes como Gregory Hines foi um dos responsáveis por fomentar o aprendizado e o incentivo do estudo do sapateado, principalmente por jovens. Teve como seu aluno, Savion Glover, o mais incrível sapateador contemporâneo, utilizando ritmos como hip hop e funk e filho ilustre dos hoofers .

Apesar de o sapateado estar se expandindo cada vez mais pelo mundo, é no EUA onde residem e trabalham os grandes nomes e brilhantes brilhantes Cias. de Sapateado. A evolução do sapateado não está representada apenas na tela grande do cinema americano mas em vários Nights Clubs e teatros principalmente em torno do bairro do Harlem, periferia de Nova Iorque. Outros países como Austrália (Cia. Tap Dogs) e algumas cidades da Europa e América Latina (principalmente o Brasil) e o Japão vêm desenvolvendo e aperfeiçoando a técnica, codificada originalmente pelos norte-americanos e desta forma descobrindo novas possibilidades para o sapateado mundial.


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